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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

Apaixonei-me de novo

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Cheguei a medo, tímida com a insegurança a pique. Imaginava que seria uma boa experiência, algo enriquecedor para o meu curriculum…. Rapazes e Raparigas começaram a subir a “Rampa". Ouvia- se o burburinho normal do entusiasmo pelo momento. Todos faziam a questão de focar as suas mais variadas experiências profissionais. Uns com mais, outros com menos, mas todos movidos de um combustível chamado : amor à arte. Sorrisos ingénuos, gargalhadas verdadeiras deram logo sentido àquele grupo. Eu sou de "energias", quem me conhece sabe do que falo ... A conexão energética é essencial para mim, inexplicável e acontece sempre que existe algo mais forte. Já conhecia o trabalho do Sérgio Penna pelo seu currículum e foi-me altamente referenciado … Pessoalmente nunca tinha visto aquela figura. Seria o meu primeiro contacto com qualquer "formação" aqui no Brasil.... Esperava que fosse bom, forte pelo menos. 

E tudo começou com aquela apresentação… Normalmente, as apresentações são uma espécie de quebra - gelo mas logo ali entendi que algo se passava ….  A mística era diferente, era especial. A emoção estava à flor da pele.  As grandes referência musicais brasileiras aqueciam o espaço. A poesia romanceava o momento e a dança tornava tudo tão leve e bonito. As pessoas falavam do Penna com tal confiança como se nem sequer hesitassem se ele lhes pedisse para se atirarem de uma ravina… Deixou-me esmagada e eu nem o conhecia. 

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Ouvindo cada um falar de si, senti a maior necessidade de falar de mim também. Queria exibir o meu sotaque português e a minha paixão pelo Brasil, exprimir a tamanha importância que esta viagem teria para mim…. Explodi de emoção. Tudo o que senti foi energia.... A energia de um grupo maravilhoso. Apresentei-me com a maravilhosa música da Mariza .... “ Melhor de Mim “.  Quem me conhece sabe o porquê. ( A tua energia é essencial).   As lágrimas caíram inconsolavelmente e deu-se o momento tão mágico. O grupo abriu, metaforicamente, os braços e abraçou-me! Senti que o Brasil me estava a receber e a servir-me a sua mais especial iguaria: o afecto, a generosidade, o amor.

 

 

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Passadas umas horas, o Sergio Penna havia transformado o meu mundo e fez - me voltar a sentir paixão, aquela paixão intensa que um homem sente por uma mulher…. O fervor e a total disponibilidade. Senti-me apaixonada pela arte, tomada pelos sentimentos, emocionada com o seu processo. Não existia mais condição de retornar. Ninguém sabe ao certo explicar o que acontece nas aulas do Penna... É tão interno, tão individual, tão despreendido de egos e superficialismos… Acontece Magia! O processo do Penna é um elixir para um ator de verdade. Digo de verdade, porque só o verdadeiro ator é sensível o suficiente para compreender Penna. Escrever sobre este processo é da maior complexidade mas apaixonante, como se o nosso coração fosse uma caixinha de pandora. Vou usar a frase que um querido colega ( Jorge Paz) me disse, hoje enquanto nos emocionávamos a falar: “O processo do Penna é como fazer amor…. vai- te despindo lentamente e a tua entrega é total". Vai ao coração, às emoções mais puras e bonitas, sem métodos dolorosos e identificativos. Chafurda em todas as emoções que existem em cada fragmento do nosso coração, sem fazer doer. Depois de acioná-las, vem o controlo das mesmas e só dessa forma um actor conseguirá viver a ambiguidade de uma forma saudável. 

 

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Depois, aquele laboratório super intenso na Prado Júnior em Copacabana. Para quem não conhece, a Prado Júnior é uma rua de bares de alterne. O objectivo do exercício era, o de conhecer, apreciar, ser tocado por aquela realidade. Mas a equipe do Penna foi mais fundo. Mais do que ver, levou-nos a viver. Que experiência incrível! Conviver com as “putas”, conhecer de perto, falar com elas, experimentar a abordagem, compreender as emoções e depois levar isso para o personagem foi surreal. Não se choquem com o palavrão. Elas são “putas” porque assumem-se como tal e assim exprimo o meu maior respeito por elas. Fui tocada por cada palavra que conversei com cada uma delas, pela experiência de aprender a dançar, a abordar … só com esta total disponibilidade e humildade é possível viver o outro. É um assunto muito sério e com grande generosidade de ambas as partes.  É uma vida solitária, desprendida de emoções e sentimentos, fria … onde não há amor. Para mim não foi fácil porque eu vivo, alimento-me desse AMOR e compreender a fundo é um murro no estômago. No dia seguinte estava tão cheia que chorei, chorei e só consegui chorar…. no final, o exercício foi completo.

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Fazer Penna é encher o coração de milhares de sentimentos, e emoções …. ele fica cheio, tão cheio que a grande pergunta é: o que é suposto fazer com tanto sentimento? 

Obrigada Sergio Penna pela transformação e pela resolução. Você é o Mestre, o Mago, o Jardineiro dos actores. Que privilégio… não dinheiro no mundo que pague essa evolução. 

Apaixonei-me de novo pela minha profissão. 

Obrigada Penninha da sua portuguesa.