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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

Chegada a Frankfurt

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Ontem chegámos a Frankfurt. Tínhamos à nossa espera dois grandes amigos do nosso “anjinho da guarda”: a Luci e o Gert. Do Gert já tinha ouvido falar maravilhas, professor universitário de profissão, desportista, um ser humano fantástico, muito inteligente e acima de tudo prestável … “ só não faz se não puder”, foi assim que o “nosso anjinho” o descreveu. A Luci é de nacionalidade brasileira, ali das bandas do rio de Janeiro, uma mulher bastante comunicativa … adorei como ela até nos apresentava as saídas da auto estrada … "para ali é Darmstadt, onde eu moro”, “não podemos sair para Frankfurt porque a saída está fechada e não sabemos porquê" "aqui na Alemanha é tudo muito arrumadinho”, acrescentava muito empolgada. Chegámos a Frankfurt onde vamos permanecer durante 2 dias até irmos para Heildelberg, localidade onde será a tua consulta de Neuroncologia com o prof. Michael Platten. Estávamos esganados com fome. Apenas tínhamos o pequeno almoço no estômago , portanto a prioridade era mesmo encontrar um sítio simpático para comer. Instalámo-nos com relativa calma … tirei da mala o teu saco com as dezenas de caixinhas de medicação ( homeopáticos e químicos ) coloquei-os no parapeito da janela com a folha das indicações e saímos para comer. Encontrámos um restaurante muito interessante perto do hotel, gente muito simpática. Ficámos por ali a jantar. Pedi um vinho para relaxar e tu a tua coca-cola. Nem reclamei porque sei o quanto também precisarias de relaxar … Conversámos, pediste várias vezes a minha mão para a apertar e fazer festinhas. Era um momento muito nosso, muito intimo …um momento muito bonito mas ao mesmo tempo com uma carga emocional forte. Tenho de te passar a toda a hora a noção que sei bem o que estou a fazer, que este é o caminho e que tenho tudo controlado … mas a verdade é só uma: não faço a mínima ideia do que estou a fazer, não sei se este é o caminho nem tenho nada controlado.É tudo fachada! São muitas emoções para gerir e o caminho é só  um. Sempre em frente, sem parar e alta velocidade . Até poderíamos fingir que estamos a usufruir de umas merecidas férias mas sabemos bem que não é verdade. No entanto, são dias diferentes e vamos olhar para eles como uma oportunidade de sermos felizes!!!Estou com força. 

Hoje acordei bem cedo, acordei cheia de dores nas costas, não sei se da cama, dos nervos mas mais parece que me passou um comboio por cima. Despachei-me e decidi vir respirar um pouco da cidade.

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 Queria encontrar um lugar simpático, abrir o meu computador, pedir o meu café e escrever, escrever sem filtro. Tenho encontrado nas palavras escritas uma terapia.

IMG_1084.JPGDescobri quanto é mais fácil escrever o que sentimos do que verbalizar com a mesma intensidade. Tudo parece que flui sem restrições… além disso a escrita imortaliza os pensamentos, as emoções e as vivências. Daqui a uns dias … uns anos nada parece ter a mesma intensidade ou importância como aquelas do dia em que a vivemos. Os pensamentos e emoções estão em autêntica roda vida, e é difícil fazer um apanhado com fidelidade emocional dias após  qualquer acontecimento. A memória pode ainda estar fresca, mas as emoções já são outras. Essa foi umas das principais razões que me levaram à vontade de querer escrever a nossa história. É nossa e de mais ninguém, orgulho-me disso embora não me orgulhe do motivo que me leva a escrevê-la , bem preferia não ter motivo, não ter história...

Agradeço a todos as mensagens que me enviaram a desejar boas evibrações …à minha irmã que nunca desiste de nós e de me injetar energia. Quem passa por uma história como esta não quer passá-la sozinha, temos medo, receio, angústia … queremos dividi-la, partilhá-la com o maior número de amigos possível. Não vai resolver é verdade mas pode ajudar a minimizar os estragos psicológicos. 

 

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Bem o telefone está a tocar, és tu meu anjo … vou a correr para o hotel para te acompanhar no pequeno - almoço… esta tarde vamos passear, conhecer Frankfurt Main. 
 
Marlene Barreto Frazão