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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

"…estou aqui perto de ti meu amor, vai correr tudo bem"

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Os meus músculos contraíam como se quisessem diminuir, eu fixava a luz forte do candeeiro Como se precisasse de um ponto para não desatar a chorar ali à tua frente, enquanto te passava a mão pela perna como faço sempre para te dizer: "calma amor, estou aqui perto de ti, vai correr tudo bem" ... está a ser avassalador para ti e para mim .... Há 1 mês e meio que não conseguimos ter uma conversa falada, mas ao teu lado, os dois calados ao som do murmúrio barulhento daquele hospital senti que tivemos uma conversa imensa, talvez uma das mais despidas que tivemos até hoje. Partilhámos o medo, a revolta, a tristeza, percebemos como o ser humano é tão débil e como não era ali que queríamos estar. Cheguei mesmo a olhar para a nossa vida e perceber o quão irónico é, o facto da maior parte da nossa relação ter como um pano de fundo aquele hospital, mas ao mesmo tempo de já termos sido tão felizes naquela sala de espera de ressonâncias e o quão é divertido quando fazemos o nosso jogo das capitais do mundo ( és imbatível...) ... como diz a doutora Luísa, o ser humano adapta-se a coisas impensáveis e consegue ser feliz. E nós somos esse caso. Já se contam centenas de idas àquele hospital, os corredores secretos já não são para nós tão secretos. No fundo , aquele espaço já é um pouco a nossa casa, aquela gente já é um pouco a nossa família. Já cheguei ao ponto de me sentir bem e feliz ali.... Mas hoje não era um desses dias. 
A única coisa que queria era um manual de instruções ou uma cola bem forte para voltar a montar tudo de novo. Queria poder enfrentar-te nos olhos e dizer-te: confia em mim, vai tudo correr bem mas sinto-me tão impotente, até um bocadinho cobarde ... O medo imobiliza-me. sinto- me dentro de uma caixa de papel de cartão apenas com direito a alguns segundos do dia para respirar.

Nota: São 6h32 e não está fácil encontrar a tranquilidade da noite. Vou esforçar o sono mas nem sequer posso abraçar-te porque esta tosse estúpida iria acordar-te e não quero.