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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

Meu príncipe

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“amor, já passámos por fases más e conseguimos ultrapassar… vamos acreditar… vamos continuar a fazer esse esforço. É preciso ganhar força, sair desta cama e Viver”. Mas que tamanha mentira que eu te preguei. Passámos por fases más, é verdade, mas não piores que esta. Nem por sombras. Aquilo que te está a acontecer é desumano, é de uma crueldade psicológica que não tem explicação.

Sempre acreditei numa força superior, num Deus protector mas onde esteve essa protecção hoje? E ontem? Onde estará essa protecção amanhã? Sentes-te decepcionado e desiludido com o destino e tens toda a minha compreensão para te sentires assim. Não vou exercer sobre ti qualquer tirania de “pensamento positivo”, não seria justo. Vou dar-te o espaço de que precisas para estares triste, tens todo direito a essa revolta. Só tenho de estar … apenas isso e ser as “pernas” que agora te faltam, as “palavras” que se apagam, as “capacidade ” que teimam em ir embora. De repente , vês-te num corpo que nunca foi o teu, que não responde, paradoxalmente a um cérebro que muito embora doente continua teimoso e resistente.  E sim sinto-me tamanhamente desapontada por te ter injectado uma força desmedida que acabou por se transformar numa autêntica desilusão, frustração e desgaste …

Hoje  tinha-te prometido ir comprar um hambúrguer daqueles que adoras. Não me interessa se é fast food, se é carne vermelha ou fritura … só quero que comas e qualquer coisa serve… Há semanas que não comes sem efeito da medicação para o vómito. Os espasmos no estômago são violentos e nada resiste a eles. Já me estava a preparar para ir, quando me disseste: “também quero ir contigo”! De repente, fiquei tão orgulhosa e feliz. A vitória do quereres sair de casa, contrariar os pensamentos tristes era o que interessava e nem valorizei muito o que significaria “ires.” Estavas a fazer o que te tinha pedido, e chamava-se REAGIR. Tens a força de um leão, meu doce!  O teu cérebro é tão resistente que a teimosia de conseguir, concretizou -se numa numa saída de casa, depois de 5 dias de cama em casa após o internamento. 

Tratei imediatamente da logística… Liguei ao teu irmão M. para nos ajudar a transportar-te até ao restaurante , e juntamente com a tua mãe e a E. lá fomos nós. Só nunca pensei que fosse uma experiência tão difícil e dolorosa : o teu corpo não está a responder e os teus movimentos estão a esquecer-se deles próprios e tu tens toda a coensciência disso! Dói demais !!! Estou a perder-te para esta doença maldita e não consigo fazer NADA, a não ser ESTAR. Não estou habituada a ESTAR apenas, a minha natureza é a reacção mas neste momento não serve de nada. 

 
Que vazio, que falta de palavras, que merda de situação … e não, não há frases bonitas, esperanças cheias ou olhares crentes que sobrem… 
 
olhando -te nos olhos, de uma coisa tenho a certeza … és o meu príncipe e sim estou aqui para tudo, para o que der e vier. 
 
amo-te muito bichinho e bem mais que ontem.
 
Marlene Barreto, (orgulhosamente por ti ) Frazão.