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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

Um encontro comigo mesma ...

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Estou perante um momento que há muito tempo não o tinha …  hoje decidiste ir ver o teu “benfiquinha”… fiquei tão feliz por sentir essa energia, essa força interior, pois chama-se a isto lutar, lutar pela normalidade e só tenho de estar orgulhosa e de coração cheio. Assim que me disseste que a partir das 15hrs irias sair, senti uma sensação de liberdade, poderia pensar só em mim durante 3 ou 4 horas, sem sentimentos de culpa, mimar-me com uma massagem, tomar uma café com uma amiga … liguei à primeira amiga que me disse: “Oh querida, não posso. Infelizmente estou a trabalhar”. Liguei para segunda que só estaria disponível a partir do fim da tarde. Liguei à tia Antonieta que tinha o telefone desligado, estava no ginásio. 

Hum, como é que é possível? Nas horas que tinha livres para mim, ninguém estava disponível. Até a minha avó não conseguiu falar comigo ao telefone porque estava numa festa de aniversário e havia muito barulho e a minha mãe a tomar um café com um amiga, não dava jeito nenhum.
Ninguém estava para mim, apenas eu própria. Considerei que poderia ser uma mensagem do universo… talvez ele quisesse dizer-me alguma coisa. Talvez me queira dizer que ao estar com alguém não estaria comigo própria, e neste momento é  disso que preciso, ter um encontro comigo mesma, uma conversa sincera, uma reflexão verdadeira … pois já não estamos juntas há muito tempo. E aqui estou eu , presa nos meus mil pensamentos que percorrem as auto-estradas da minha mente a 1000 à hora. Tive uma semana difícil ( felizmente contigo está tudo mais ou menos tranquilo) mas comigo própria as coisas estão confusas. Sinto-me perdida, presa à doença . Sinto pela primeira vez medo da expressão “somos um só" que a minha mente incutiu a ela própria sobre o amor. É a expressão mais bonita, que os livros românticos vendem como sendo a receita da felicidade mas tudo corre bem se tudo correr bem. E quando as coisas se complicam, “sermos um só” é perigoso, porque o sentimos mesmo … e é disso que se trata. A nossa mente consegue ser traiçoeira e mentirosa, consegue distorcer a realidade. E é essa linha que separa um mundo do outro, que luto todos os dias para não deixar apagar.   Preciso da consciência, da verdade, preciso das respostas certas e não das convincentes. Sou “medricas”, tenho ataques de ansiedade, descobri traumas ( o estar simplesmente num consultório frente a um médico que durante alguns minutos está a olhar para um exame no computador deixa -me num estado que nem imaginas ) mas prefiro sempre a Verdade, a dúvida tira-me o sono e a sanidade. Sou impressionável, o ir ver um simples filme com uma história forte desiquilibra-me ….viste como fiquei na segunda feira com “ O meu nome é Alice”…  Estou a transformar-me em alguém que não era. Alguém cheia de medos, inseguranças e obcecada pelo medo do desconhecido. Alguém que precisa de ver a sua auto-confiança reforçada, alguém que acha a toda a hora que não vai ser capaz. Alguém que ainda não conseguiu decifrar esta mensagem. 
 
 
Marlene Barreto Frazão