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… Até à lua

… Até à lua

desabafos que não posso ter contigo ...

A tua "gordinha" cá estará para nunca te deixar morrer

 

 

IMG_0736.JPG“As pessoas só morrem quando nos esquecemos delas”, é das afirmações, para mim, mais lógicas, mais verdadeiras e sentidas que ouvi até hoje. 

Cheguei agora a casa (praticamente 1h da manhã. Mais um dia non stop). Terminei-o a jantar com a SU e como já é habitual entre nós, TU foste um dos protagonistas. Tal como se tivesses ali sentado ao nosso lado. Sorrisos, gargalhadas, lágrimas transformam a nossa conversa numa verdadeira experiência emocional ( ela tem paciência para me ouvir, isso é muito bom, para mim claro.). Contava-lhe como hoje subia as escadas do metro do Cardeal Verde (quando me ia encontrar com o Jorginho para bater texto) e de repente comecei a imaginar como seria se estivesses no final daquelas escadas rolantes …Entrei numa “viagem mental” tal, que jurava ter acontecido. Imaginei o teu rosto baixo, de mãos nos bolsos, calções pelo joelho às riscas com aquela t’shirt vermelha da Polónia. Estavas à minha espera, calmo, sereno … até quem sabe, já um bocadinho impaciente de esperar por mim. Meu Deus, como aquela imagem era tão verdadeira! Imaginei o teu rosto subir e descobrir-se assim que me visses. Sorririas e dar-me-ias-me um beijo na boca com um abraço apertado.  Senti o cheiro, o teu cheiro! Ele é indiscritível e não se confunde. O beijo, esse seria daqueles que sempre gostámos: súbtil mas intenso e o abraço duraria horas. Até de gordinha, ouvi chamares-me, que delícia!
Precisava da tua calma, pois ando demasiadamente agitada. Daquele teu ombro que milhares de vezes me acalmou e me deu força para encarar … Que falta me faz tudo isso! 
Tão diferentes que nós éramos… que nós somos, mas tão iguais naquilo que sentimos. Só consigo dizer-te neste momento, que te amei muito (sempre to disse) e que continuo a amar-te por demais. Sei que sempre o soubeste, não há nada de novo nisso (certo?),  com o acréscimo que as saudades doem demais, fazem sofrer e não deixam sentir o sorriso na plenitude:(
Diariamente, vejo-te, olho para ti, sinto o brilho do teu olhar ( e não tenho vergonha em admiti-lo)… mas sinto falta da fisicalidade. Ela era essencial. Tiraram-te de mim depressa demais… e isso não é fácil perdoar. 
 
até à lua meu super-herói. 
A  tua "gordinha" cá estará para te recordar e nunca te deixar morrer. 
 
Marlene Barreto Frazão 

O pássaro.

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Hoje preferi não fazer nada … na verdade, tenho várias coisas em que pensar, textos para escrever, outros para estudar mas não não me apetece nada disso. Bem sei que me vou arrepender, enfim. Coloquei os phones e simplesmente, caminhei…caminhava em direcção ao forte de copacabana, talvez para almoçar, talvez para tomar um matte… e ainda assim, se me arrependesse muito, pegaria nos textos e estudava. Ao passear pelo calçadão, o mar chamava por mim. Não o sentia revoltado, acredito que não houvesse mesmo motivo para estar. Estendi o páreo, aqui chamam de canga (tinha acabado de a comprar a uma moça que estava vendendo no calçadão. Como disse não estava contando vir à praia mas tinha trazido o bikini) . Deitei-me e escolhi a banda sonora: Los Hermanos.

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Deitada, observava o céu e avistei um bando de pássaros. Todos voavam na mesma direcção… (Os pássaros andam em bando e quanto a isso, tudo normal), mas algo de errado se passava com um deles. Ele mudou a direcção repentinamente e voava contra todos os outros. O que é que o poderia ter levado a tomar aquela decisão e mudar o sentido da sua viagem? Talvez já conhecesse o destino e não estivesse interessado, talvez fosse uma espécie de “ser humano com asas” que nunca está bem no lugar onde está. Não sei. Confesso que achei interessante este exercício de me colocar na cabeça daquele pequeno pássaro e tentar imaginar as motivações que o levaram a recusar seguir o bando. Tudo é imprevisível, até mesmo este pássaro, que de onde o avistava parecia ter o tamanho de uma formiga. (comparar um pássaro a uma formiga também me parece ridículo).

Tomei este momento como uma metáfora para a vida: Caminhar todos na mesma direcção sem espaço para o imprevisto, para o o imprevisível pode deixar-nos altamente vulneráveis, dependentes e indiferentes. 

 

Marlene Barreto Frazão

LAURA

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Corpo de mulher, experiência de uma menina… 
os caminhos tortuosos da vida criam uma espécie de avalanche emocional.
Enrijecem-lhe as emoções, 
deturpam-lhe os sentimentos, 
e denaveiam-lhe a alma.
 
O seu espírito livre é de fachada. 
Na sua alma persiste o medo e a solidão,
mas o dever torna-se a prioridade. 
 
Laura é o seu nome. Tem 26 anos e "hoje" vai tornar-se oficialmente uma garota de programa …
A rua é dura, o sexo uma necessidade e a falta de amor é FODA. 
 
(laboratório e processo de construção de personagem Sérgio Penna)

não esqueças

FullSizeRender.jpga minha mente está confusa…
conta uma história irreal,
fica magoada com a tua ausência,
solitária, angustiada …
onde estás? porque não me procuras? porque nada dizes?
esqueceste-te de mim? não esqueças, peço-te!

eu não esqueço, nunca esquecerei.
escrevo-te na esperança de te reencontrar.
escrevo-te na esperança que me oiças.
escrevo-te na esperança que regresses para mim.

Sinto o peito vazio mas ainda assim, cheio
amo-te como da primeira vez,
Minto. Amo-te mais ainda.

a tua imagem invade a minha mente,
fecho os olhos  e relembro o teu sorriso,
abro a janela e o vento grita o teu nome
o teu perfume, esse ainda está impregnado na minha pele.

 

o tempo não passa quando se trata da tua falta.

onde estás? porque não me procuras? porque nada dizes?


                                                                        (para mim, hoje o dia não é de Páscoa é o de 3 meses de ausência).

Apaixonei-me de novo

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Cheguei a medo, tímida com a insegurança a pique. Imaginava que seria uma boa experiência, algo enriquecedor para o meu curriculum…. Rapazes e Raparigas começaram a subir a “Rampa". Ouvia- se o burburinho normal do entusiasmo pelo momento. Todos faziam a questão de focar as suas mais variadas experiências profissionais. Uns com mais, outros com menos, mas todos movidos de um combustível chamado : amor à arte. Sorrisos ingénuos, gargalhadas verdadeiras deram logo sentido àquele grupo. Eu sou de "energias", quem me conhece sabe do que falo ... A conexão energética é essencial para mim, inexplicável e acontece sempre que existe algo mais forte. Já conhecia o trabalho do Sérgio Penna pelo seu currículum e foi-me altamente referenciado … Pessoalmente nunca tinha visto aquela figura. Seria o meu primeiro contacto com qualquer "formação" aqui no Brasil.... Esperava que fosse bom, forte pelo menos. 

E tudo começou com aquela apresentação… Normalmente, as apresentações são uma espécie de quebra - gelo mas logo ali entendi que algo se passava ….  A mística era diferente, era especial. A emoção estava à flor da pele.  As grandes referência musicais brasileiras aqueciam o espaço. A poesia romanceava o momento e a dança tornava tudo tão leve e bonito. As pessoas falavam do Penna com tal confiança como se nem sequer hesitassem se ele lhes pedisse para se atirarem de uma ravina… Deixou-me esmagada e eu nem o conhecia. 

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Ouvindo cada um falar de si, senti a maior necessidade de falar de mim também. Queria exibir o meu sotaque português e a minha paixão pelo Brasil, exprimir a tamanha importância que esta viagem teria para mim…. Explodi de emoção. Tudo o que senti foi energia.... A energia de um grupo maravilhoso. Apresentei-me com a maravilhosa música da Mariza .... “ Melhor de Mim “.  Quem me conhece sabe o porquê. ( A tua energia é essencial).   As lágrimas caíram inconsolavelmente e deu-se o momento tão mágico. O grupo abriu, metaforicamente, os braços e abraçou-me! Senti que o Brasil me estava a receber e a servir-me a sua mais especial iguaria: o afecto, a generosidade, o amor.

 

 

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Passadas umas horas, o Sergio Penna havia transformado o meu mundo e fez - me voltar a sentir paixão, aquela paixão intensa que um homem sente por uma mulher…. O fervor e a total disponibilidade. Senti-me apaixonada pela arte, tomada pelos sentimentos, emocionada com o seu processo. Não existia mais condição de retornar. Ninguém sabe ao certo explicar o que acontece nas aulas do Penna... É tão interno, tão individual, tão despreendido de egos e superficialismos… Acontece Magia! O processo do Penna é um elixir para um ator de verdade. Digo de verdade, porque só o verdadeiro ator é sensível o suficiente para compreender Penna. Escrever sobre este processo é da maior complexidade mas apaixonante, como se o nosso coração fosse uma caixinha de pandora. Vou usar a frase que um querido colega ( Jorge Paz) me disse, hoje enquanto nos emocionávamos a falar: “O processo do Penna é como fazer amor…. vai- te despindo lentamente e a tua entrega é total". Vai ao coração, às emoções mais puras e bonitas, sem métodos dolorosos e identificativos. Chafurda em todas as emoções que existem em cada fragmento do nosso coração, sem fazer doer. Depois de acioná-las, vem o controlo das mesmas e só dessa forma um actor conseguirá viver a ambiguidade de uma forma saudável. 

 

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Depois, aquele laboratório super intenso na Prado Júnior em Copacabana. Para quem não conhece, a Prado Júnior é uma rua de bares de alterne. O objectivo do exercício era, o de conhecer, apreciar, ser tocado por aquela realidade. Mas a equipe do Penna foi mais fundo. Mais do que ver, levou-nos a viver. Que experiência incrível! Conviver com as “putas”, conhecer de perto, falar com elas, experimentar a abordagem, compreender as emoções e depois levar isso para o personagem foi surreal. Não se choquem com o palavrão. Elas são “putas” porque assumem-se como tal e assim exprimo o meu maior respeito por elas. Fui tocada por cada palavra que conversei com cada uma delas, pela experiência de aprender a dançar, a abordar … só com esta total disponibilidade e humildade é possível viver o outro. É um assunto muito sério e com grande generosidade de ambas as partes.  É uma vida solitária, desprendida de emoções e sentimentos, fria … onde não há amor. Para mim não foi fácil porque eu vivo, alimento-me desse AMOR e compreender a fundo é um murro no estômago. No dia seguinte estava tão cheia que chorei, chorei e só consegui chorar…. no final, o exercício foi completo.

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Fazer Penna é encher o coração de milhares de sentimentos, e emoções …. ele fica cheio, tão cheio que a grande pergunta é: o que é suposto fazer com tanto sentimento? 

Obrigada Sergio Penna pela transformação e pela resolução. Você é o Mestre, o Mago, o Jardineiro dos actores. Que privilégio… não dinheiro no mundo que pague essa evolução. 

Apaixonei-me de novo pela minha profissão. 

Obrigada Penninha da sua portuguesa. 

O Nico fez a viagem, apenas isso.

 

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A falta das palavras traçam um trilho vazio
Ausentam-se e invadem o coração…
São elas a forma, a concepção mais real ao alcance da boca para se transmitir a admiração por alguém, 
Alguém que merece mais que esta ausência. Merece tudo , merece um mundo que aplaude de pé a sua existência e que nada deixa por dizer.
Um mundo que agradece a riqueza cultural, o espírito livre, a magia da verdade.
É bom guardar os sorrisos, as palavras bonitas e o brilho dos olhos mas sobretudo as acções do HOMEM e o Nico foi mais que isso. Foi o mago da actuação, o explorador das emoções, o conquistador cultural que desbravou um mundo artístico para as novas gerações, tão ingénuas. tão ingénuas….
 
A partida é uma rampa fria e solitária, 
um trilho de certezas que se concentram e pelo qual todos passaremos. 
Deixa um amargo de boca pra quem fica, 
um lugar vazio na alma. 
A vida e a morte estão tão ridiculamente próximas que se o soubéssemos nada deixaríamos por fazer. E você sabia!
Agora, a eternidade é sua e junta-se aos que também dela já fazem parte.
 
As redes sociais e os jornais saturam o seu nome… 
As televisões fazem o rewind de uma vida cheia. 
As rádios verbalizam a riqueza do actor que foi. 
Mas tudo isso é pouco e será sempre pouco.
Ser artista é um privilégio para os mais sensíveis e o Nico era um dos mais sensíveis. 
Renascia todos os dias e vai continuar renascendo dentro de cada um dos que acreditava na sua arte. 
 
Foi a admiração do meu herói. A sua referência. E agora estão juntos. Vai ser a festa e tenho inveja por isso. 
Por favor,  que as vossas gargalhadas sejam tão fortes que se oiçam nos corações de quem vos ama. Quero acreditar que nós merecemos e que somos dignos … 
 
Obrigada pela sua sua arte. 
Obrigada pela reverberação em cada um de nós. 
O Nico fez a viagem, apenas isso. 
 

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"Vai, acredita porque és tão capaz"

O dia da mulher seria mais um dia como outro qualquer. No entanto , o dia de hoje ficará marcado por uma etapa importante para mim. Reflecti muito se estaria preparada, se seria o momento e cheguei apenas a uma resposta: nunca é o tempo se não formos nós a obrigá-lo que seja. Sinto -me pequenina, fragilizada e um verdadeiro passarinho de gaiola cheia de angústias e medos por esta “liberdade " não desejada. Equiparo-me a uma criança que começa a dar os primeiros passos … O percurso é assim meio desiquilibrado e a “medo” como se a certa altura se esteja a esperar o tombo . 

Uma parte de mim partiu e agora é adaptar-me à ausência. Há quem diga que a dor vai tornar-se mais suave e suportável mas ainda não experimentei essa suavidade. E neste momento poucos são os que me podem ajudar. Ninguém compreende suficientemente as recaídas e crises de choro  … todos pedem para seguir em frente, mas essa é a frase balofa que que prefiro não ouvir. Seguir em frente é o que faço todos os dias desde que foste embora. Seguir em frente é a obrigação de qualquer ser humano que anda no mundo. Seguir em frente pressupõe recuar e avançar e recuar novamente .... Não fujo dos sentimentos cruéis.... O sofrimento faz - me sentir pessoa... A pessoa que sente muitas saudades tuas.

Neste momento falta 1h30 para pôr os pés em terra... Há 15 horas que sobrevoo o Atlântico e que a minha cabeça não pára. Vejo o teu sorriso, imagino o teu abraço e a sensação de te tocar. Fazes-me falta meu herói. Era do poder do teu cheiro que precisava agora.

Queria -te aqui, ao meu lado para partilhar este passo contigo e para que, como sempre, me pudesses dizer: "Vai, acredita porque és tão capaz". Acreditaste sempre nisso meu amor, que eu era capaz, até mesmo quando tinha de fingir ter essa força toda do mundo. Queria aterrar e poder ligar-te e contar as minhas conquistas, os meus stresses, as minhas inseguranças aqui deste lado. Vim estudar mais ( como sempre quis), tornar- me mais capaz na minha área, aprender, trabalhar, produzir e vestir vários "eu's" mas acima de tudo descobrir este novo "eu" a quem ainda não fui apresentada. Quero ser o teu motivo de orgulho , quero ser o meu motivo de orgulho. 

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Antes de partir, consegui cumprir o desafio. Consegui voltar ao serviço de oncologia. Tinha de lá voltar e abraçar aquela pessoa que nos acompanhou praticamente 7 anos: a Dra. Luisa. Tremia por todos os lados antes de entrar, pois sabia que me poderia fazer mal ... Mas fez bem, muito bem. Abraçámo-nos, falámos de ti e da forma estóica como viveste todo este processo, de nós, emocionámo- nos juntas ao te recordar. “ Nunca tinha conhecido um PAULO e provavelmente não sei se voltarei a conhecer, Marlene, e olhe que tenho muitos anos disto”; disse-me.  Todos têm feito um esforço para me ajudar e dizer coisas bonitas mas acho que nenhuma conversa me ajudou tanto como esta. Deu-me força, encheu-me de orgulho… ainda mais. Ela conhecia tão bem a tua essência, a nossa essência….e essa porta ficou destrancada como todas as outras que se relacionem com a tua memória…. 

“Mantém -te focada” - como sempre dizias é a frase que te oiço dizer ao ao meu ouvido. E é isso que prometo tentar fazer por aqui… e ouvir o meu coração. Ouvindo-o, estarei a ouvir-te a ti, certamente e a seguir o melhor caminho. 

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Amanhã já vou conhecer as escolas. Começo brevemente. Os próximos meses serão por aqui.

Adorei o presente dos “nossos” miúdos. Sempre comigo.  

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Amo-te até à lua príncipe.

Marlene Barreto Frazão

 

PS: Obrigada à minha irmã, pela força incondicional e por nunca me deixar desistir sobretudo quando a motivação não existe. Um especial beijinho à tia Antonieta pela força esmagadora que não me tem deixado cair.

Onde estiveste neste S. Valentim?

Passamos a vida a ouvir que o dia dos namorados não interessa, é mais um dia como tantos outros, namorar é todos os dias e blá blá blá… até pode ser bem verdade mas este foi o primeiro S.Valentim passado sem ti desde há tanto tempo e as lembranças doeram demais. Inicialmente, tentei ocupar o meu dia com limpezas e organização da casa, até que a determinado momento … julgo que ali mais ao menos à hora do almoço… peguei na tua fotografia, como se precisasse tanto de te sentir e não deu para controlar. Relembrei o dia dos namorados do ano passado. Lembraste? Fomos a Ribeira d’ ilhas comer marisco. Não andavas nada bem, andavas mal-disposto, com o estado de espírito tão em baixo… mas naquele dia fizeste questão de me levar a sair, de me proporcionar um momento especial. Era um dia especial e sabias bem, sabias o quanto eu gosto de valorizar estes momentos. Fecho os olhos e relembro. Relembro que estava deitada. Ainda era cedo e tu da sala, ligaste-me: “- Então, vamos?”, disseste. - “Vamos. Vamos onde?”, perguntei; “ É dia dos namorados, vou levar-te a almoçar.”. Ao ouvir aquelas palavras, o meu dia foi ganho, e ele mal estava a começar. Naquele momento vi aquela “força”, aquela vontade de não te entregares e foi demasiadamente importante para mim, para nós. 
Ontem dizia-te infinitas vezes “amo-te, amo-te, amo-te…” só queria que me ouvisses. As lágrimas lavavam-me o rosto e fazia um esforço para chorar baixinho como se quisesse esconder de alguém … de quem? Estava sozinha. 
Fui às fotografias que tínhamos tirado naquele dia no ano passado, no nosso último dia de S. Valentim, em que no título do artigo pedia quase encarecidamente ao Universo que os próximos dias fossem todos eles dias de S. Valentim. Tinha sido o dia mais desprovido de tudo, de presentes de flores ( recebi uma, aquela que me deste à mesa, porque a senhora do restaurante estava a passar e deu-te uma para me entregares) mas recheado de sentimentos e significados tão fortes. Guardo na minha mente os sorrisos, a tua luta com a sapateira e sobretudo a nossa ida à praia para sentir o vento na cara. Tão bom!! 

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Achei que aquela fotografia do “caminhar de lado a lado” que tirámos aos nossos pés na areia seria um bonito presente para colocar na moldura vazia que comprámos nesse mesmo dia ( há um ano atrás) no Bairro Arte ao terminarmos o nosso dia de S.Valentim no cinema do Alegro Shopping. Incrível a moldura hoje ainda estava vazia…e achei que não fazia sentido. A moldura dizia precisamente o que eu te queria dizer naquele dia e o que eu te quero dizer hoje: “ I Love You not only for what you are but for what i am when i am with you.” Agora sim está completa e onde estiveres vais certamente achar aquela “paneleirice” de costume mas bem sei que é a paneleirice que tu gostas.

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Hoje enquanto estava de volta do teu computador porque o meu tinha bloqueado , encontrei a pasta “Marlene”. Percebi que andavas a preparar mais um dos CD surpresa com as músicas que eu ia dizendo que gostava….

Senti-me especial ao ouvir cada uma delas. Já tinhas gravado 2 CDS surpresa nos anos anteriores… decoravas as músicas mal eu dizia que gostava. Nunca percebi como fazias isso, mas lá que conseguias, conseguias. Não tiveste a oportunidade de terminar este CD, mas eu tive a oportunidade de ser surpreendida ao encontrar aquela pasta de músicas. Foi mágico meu amor, como se aqui estivesses para me o oferecer , sobretudo depois do dia de ontem … precisava tanto deste carinho.

 

 

 
Amo-te até à lua meu herói … 
 
Nota: Já chegou o meu colar …é lindo :)
 
Marlene Barreto Frazão

Embolia

Têm sido dezenas as vezes que, sem sucesso de continuidade, tenho tentado escrever e lançar para o papel a embolia emocional destes últimos 29 dias. 29 dias que parecem 29 anos. Há 29 dias que não olho para o teu rosto , 29 dias que não contemplo os teus traços que tão perfeitamente conheço decore e que fazem “repeat” na minha mente, 29 dias que não sinto o teu cheiro que tanto me confortava por dentro e dava alma aos meus dias… 29 dias que se transformarão num “para sempre”, e quanto a isso não há nada a fazer . Não há dia que o meu cérebro acorde e que não te imagine a sorrir e a fazer uma careta qualquer… todas as manhãs ainda meio ensonada, dou por mim a pensar que tudo não passou de um pesadelo … e ainda esperançada, olho para o lado direito da cama e lá está a tua almofada vazia , o teu lugar à tua espera, e assim se faz mais um check no calendário dos dias em que não dormimos em “conchinha” envolvidos na temperatura um do outro. Hoje senti coragem de escrever … senti essa coragem enquanto via o nosso filme biográfico que exibimos no dia em que nos casámos. Comecei por rir e terminei lavada em lágrimas. Nunca imaginei como sentimentos tão opostos se pudessem misturar tão facilmente. Senti-te tão perto, tão presente e isso deixou-me feliz e sorridente mas ao aproximar-me do fim senti-me como se tivesse levado com um balde de água fria. Ouvir a frase “só o facto de eu dizer amo-te é por demais importante” foi um baque no peito…  

Não tenho conseguido escrever-te porque efectivamente nada do que te possa “escrever” pode fazer jus ao que sinto e opto pelo lado mais cor-de-rosa da imaginação acreditando que a tua energia, o teu “ser” onde quer que esteja lê todo o meu pensamento e não precisa de o ver escrito. Estás sempre em mim e sabes perfeitamente a intensidade dos meus sentimentos. (Este é mesmo lado cor-rosa da mente). 
Sabes, tenho usado os meus dias para arrumar a nossa casa. A mudança para esta casa foi tão repentina, os últimos meses tão intensos que estava tudo um pouco ao “Deus dará”. Finalmente preenchi os quadros  30x30 da parede com paisagens das “nossas viagens”, arrumei o nosso quarto e imprimi a foto do nosso casamento que mais gostamos… Está à entrada da nossa casa. Ah e consegui finalmente comprar o móvel para colocar nossas garrafas que ainda estavam encaixotadas… garrafas de licores que tão carinhosamente escolhíamos quando íamos de viagem, fosse para fora do país, fosse ali à cidade mais próxima. Adorávamos esse hábito. Ao arrumar cada garrafa revivi cada momento, cada sítio, cada cheiro. Coloquei o móvel mesmo por debaixo da nossa tela de Cuba…

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Está uma verdadeira explosão de cor. A minha irmã diz que parecem os nossos calções de praia ( aqueles que temos aos quadradinhos da 69 Slam). Até acho que tem razão. 

Tenho aproveitado ainda para estar junto de quem me faz sentir mais próximo de ti. Passamos horas a recordar-te, a ver as tuas fotografias … praticamente todas as sextas feiras tenho saído da casa da tia às 6hrs da manhã. Ela vai buscar os álbuns, e uma caneca de chá bem quente e lá ficamos nós horas a fio. Tenho ouvido tantas histórias da tua infância, passado por tantas fotografias de quando eras pequeno que a sensação que tenho é que te conheço desde aí. Fecho os olhos e imagino aquele menino lourinho de olhos verdes e dentes salientes e consigo ver toda a cena do filme. 

As coisas mais básicas do dia-a-dia, tenho-as feito quase que num espécie de homenagem a ti, a mim, a nós. Este fim-de-semana fui buscar os miúdos. Fomos ver o quê? Nem mais! “Star Wars”, bem ao estilo do Paulo Frazão. Havias de ter gostado tanto de ver, meu amor. Por mais que me digam “Ah o Paulo não ia gostar disto ou daquilo”, bem sei que ias. Ias vibrar, voltar a sentires-te um miúdo de 7 anos assim que te sentasses no banco do cinema e começasses a ler George Lucas films. Está bem ao teu nível e mesmo que até existisse algo que te fizesse “comichão” , irias certamente optar pela crítica mais construtiva. Como dizias, “ jamais seria capaz de ser crítico de cinema e destruir em 2 minutos, o que um realizador demorou 2 anos a construir”. Respeito pela realização, acima de tudo e isso era teu. 

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Bem sei que antes de partires o João e o Ricardo contaram-te o filme e descobriste que o Han Solo é morto pelo filho, Kylo Ren… (ias gostar de ver essa cena). Fizemos tantas vezes alusão ao dia que o filme iria estrear, mostraste-me variadas vezes o trailer … essa é uma das coisas que me entristece, o não teres conseguido ver o filme. Queria tanto que o tivesses visto. (O início do filme fez-me lembrar a nossa viagem ao Sahara e a Tatooine, fui logo à procura das nossas fotografias ). 

Combinei com a Bruna um fim de semana de Star Wars cá em casa, vamos ver as edições especiais com as cenas cortadas exclusivas ( a coleção que tu tão carinhosamente tens exposta aqui na sala) . Ela ficou delirante e o Alex disse logo” Se a Bruna vem, eu também venho.” Portanto está feito! ( Irias gostar de participar deste programa). 

Durante estes dias, tenho passado em revista quase que obeceadamente a nossa vida, o que gostaríamos de ter feito e que não fizemos . Houve algumas coisas…

Lembrei-me daquele post que pus no facebook para comprovar a célebre teoria de que estamos a X pessoas de alguém que queremos muito contactar, isto depois de me teres dito que um dos teus maiores sonhos era conhecer o Spielberg e eu o Iñárrittu . Ou ainda a memória daquele fantástico casting que fizemos num dos dias do primeiro internamento, em que escolhíamos o elenco do nosso filme, caso ganhássemos o Euro Milhões. Estávamos na dúvida entre o Javier Bardem e o Christian Bale para personagem masculina principal ( se fosse o Javier, a  Penélope vinha só fazer uma perninha). Falámos na Charlize Theron como a personagem feminina principal mas depois achámos que eu iria conseguir dar bem conta do recado e iria estar à altura. E se o filme era nosso ... Marlene Barreto para personagem principal. Fazíamos questão da presença do nosso “amigo” Clint Eastwood” e esticaríamos o orçamento para chamar a  "senhora" Maryl Streep. Já o "senhor" Steven Spielberg seria recrutado para fazer uma espécie de consultoria/“aconselhamento” de realização… porque o realizador eras TU, claro está . De resto, a equipa técnica seria bem portuguesa … entre amigos realizadores, câmeras, editores, anotadores, iluminadores, perchistas etc , etc iríamos fazer “aquele” produto português. Enfim , isto para te dizer que tenho pensado muito… posto em cheque algumas coisas, rebuscar outras e definir o que é importante para mim agora. Diariamente, tenho feito o exercício de responder a essa pergunta. É tempo de tomar algumas decisões, sair da “zona de conforto”. Viver por ti, viver por mim …. continuar a viver por nós em busca de concretização. 
Tenho pensado como tenho a obrigação de valorizar cada minuto neste mundo com aquilo que me fizer sentir bem, com aquilo que fôr um prolongamento daquilo que gostaríamos de ter conquistado juntos e que o Universo não nos deu oportunidade. 
Também, tenho sonhado imensas vezes com a Dra Luísa … mas ainda não tive coragem de lá ir. Sinto muita vontade de a ver mas não sei como me vou sentir quando voltar a pisar aquele serviço…. os sonhos devem ser a tradução da vontade.
 
Estejas onde estiveres , quero muito que estejas bem … que a tua energia flua com a minha e que continuemos a ser “um só” como tão bem disseste no vídeo. 
 
amo-te tanto, tanto meu anjo… daqui atè à lua. 
 
 

 

 
PS: 
A novidade é que tenho reparado que passo a vida a deixar as luzes acesas por onde passo … e assim que me apercebo volto atrás para as apagar. Acho que porque “te oiço” a reclamar comigo que deixei as luzes acesas mais uma vez e sim, a porta da casa de banho é para fechar. Já sei! 

Obrigada príncipe ...

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Meu príncipe,


Como foi um privilégio ter partilhado estes anos juntos. Cruzámos caminho numa espécie de coincidência marcada. O universo já o tinha escrito e a força “do que assim tem de ser” tornou inevitável este encontro, esta certeza de uma vida juntos, este caminho trilhado, esta felicidade completa, este amor esmagador e inexplicável. Aconteceu uma espécie de faísca e ainda nem nós imaginávamos esta luta. Uma luta à partida inglória mas paradoxalmente, responsável por esta união de energias, esta sobreposição de almas numa só.   
Cada dia desta vida juntos em que olhei para ti, senti um orgulho imenso pelo herói que dormia comigo, um amor arrebatador pelo homem carinhoso que sempre foste, um respeito pelo profissional súblime em que te tornaste, uma admiração pelo sentido de humor que me fazia soltar as maiores gargalhadas, uma realização interior pelas certezas que todos os dias me davas.
Aprendemos tanto juntos, meu príncipe. Tornámo-nos num verdadeiro livro de coisas tão boas, as nossas vivências e aquilo que sentíamos  tornaram-se a nossa bandeira, o nosso escudo, o nosso cavalo de guerra. Juntos conseguimos vestir a maior armadura que é o Amor puro e comprometido, comprometido um com o outro.
Hoje só me apetece agradecer-te. Agradecer-te por todas as coisas que me fizeste sentir ao longo destes anos, agradecer-te pela cultura cinematográfica que tão apaixonadamente me davas a conhecer, agradecer-te pelo desvendar deste magnifico mundo dos super heróis,  agradecer-te pela dádiva do teu sorriso, agradecer-te pelas surpresas apaixonadas que fazias, agradecer-te pela experiência arrebatadora que foi partilhar a vida contigo e agradecer-te pela positivismo mesmo nos momentos menos bons. E digo menos bons porque em 9 anos apenas tivemos isso, momentos menos bons …  Comparado com a tua partida, foi tudo superável porque juntos éramos invencíveis. Como tantas vezes repetimos, “a equipa é perfeita”. Quero agradecer-te pelo legado que me deixaste que foram todos estes amigos que se tornaram os meus amigos, pela tua equipa que se tornou a minha equipa... e que sinto a maior das responsabilidades em estar à altura daquilo que os habituaste. Ouvi-los falar de ti e presenciar a alegria com que se exprimem é a maior das homenagens, é conhecer na sua amplitude o lindo ser que foste e que continuarás a ser no coração de cada um de nós.

Hoje encontram-nos todos neste espaço para celebrar o teres existido e teres feito tanta diferença nas nossas vidas. Esta é apenas mais uma homenagem … não a considero a Maior de todas, pois essas foram feitas na tua vida… quando os teus lindos olhos verdes sorriam … recordo o teu aniversário no dia 7 de Agosto deste ano...

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11870762_10206531622423867_5260039397682614877_n.jQue surpresa não foi, meu príncipe? Tanta gente a admirar o super-herói dos super heróis… Sentiste -te esmagado de tanta emoção, não foi amor? Permitiste-te chorar, emocionar mas acima de tudo nós permitimos-nos dizer o quanto te amávamos e continuamos a amar.

Como eu queria poder continuar a olhar para os teus olhos diariamente ao acordar e dizer : AMO-TE... dizê-lo sem me cansar de te dar beijinhos, dizê-lo quase que obececadamente…
Quero muito, preciso demasiado acreditar que continuarás a caminhar comigo mas agora a partir de outra dimensão … confio em ti para me dares a luz de que preciso, para me encaminhares nos meus sonhos fora… nem quero imaginar o quão duro vai ser sonhar sem ti.

Um obrigada a todos os que fizeram esta caminhada connosco, desde família, amigos, médicos, enfermeiros, terapeutas e pessoas que simplesmente se sensibilizaram e que nunca nos conheceram. Obrigada Dra Luísa Albuquerque que desde sempre reconheceu a tua/ a nossa essência. Obrigada ao Dr. Domingos Coiteiro pela sensibilidade com que sempre falou sobre este "assassino". Obrigada ao serviço de oncologia do Hospital de Santa Maria que sempre reservava um sorriso para nos receber. Obrigada Fátima Teixeira pela forma como sempre nos facilitaste com todas as burocracias e te tornaste uma verdadeira amiga. Um especial obrigada ao Dr. Lobo Antunes que em 2009 nos recebeu no seu consultório e nos proporcionou esta tão GRANDE equipa. O meu coração fica esmagado de tanta gratidão.

Irei reaprender a prosseguir com a tua energia . A tua vida teve a sua missão muito forte neste mundo, e criou uma outra no meu mundo…. agora vou continuá-la . Vou usar aquilo que de melhor me ensinaste e que tanto gostamos de fazer e que com toda a nossa experiência de vida  será certamente útil… permitirá uma identificação.

Obrigada a ti, super -herói que no mais alto das tuas forças fazes nascer um desenho animado à tua imagem com maior dos super poderes. O Action Man descobriu que o seu super poder é transformar a realidade dos maus momentos em momentos maravilhosos como só tu sabias e como me ensinaste a fazer.

Obrigada Action Man, obrigada Paulo Frazão, obrigada meu príncipe, obrigada meu super -herói.

Isto é só um até já , livra-te de não me receberes com um ramo de rosas vermelhas aí em cima quando for a hora …. amo-te muito … como já estás fartinho de saber … até à lua.

ilustração Marta Iria

                                                                                                                  ilustração Marta Iria

 

 Marlene Barreto Frazão

 

Nota: Esta música fez todo o sentido. Nunca mais esquecerei o som daquele aplauso ao som de Prince of the Universe dos Queen. Que orgulho deves ter sentido!

 

(carta lida na linda homenagem que todos juntos te fizemos na igreja S. João de Deus no dia 29 Dezembro 2015)